Manejo da Catatonia Aguda com Midazolam Intramuscular: Expandindo o Arsenal Terapêutico

Conteúdo do artigo principal

Gustavo Correa Emerick
https://orcid.org/0000-0002-0420-863X
Mariana Mafredi
Vicente Gabriel Winck Mattos
Ana Caroline Alencar Siqueira
https://orcid.org/0009-0000-1897-4274

Resumo

De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5-TR), a catatonia é uma síndrome comportamental caracterizada por alterações psicomotoras que, apesar da plena capacidade física do indivíduo para realizar movimentos, tornam-se anormais (movimentos limitados, excessivos ou excêntricos). Trata-se de uma condição grave que requer tratamento imediato, visando à remissão completa. O manejo envolve medidas multidisciplinares, como monitoramento da ingestão hídrica e alimentar, prevenção de trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP), contraturas e úlceras por pressão, além do controle da atividade psicomotora. A catatonia é tratada com benzodiazepínicos (especialmente lorazepam oral ou intramuscular) ou eletroconvulsoterapia (nos casos resistentes ao tratamento medicamentoso). Este relato objetivo apresenta o caso de uma paciente de 18 anos que apresentou seu primeiro episódio catatônico durante internação psiquiátrica, com negativismo/resistência ao tratamento oral. A paciente apresentou resolução rápida (aproximadamente 15 minutos) após a administração de 5 mg de midazolam intramuscular. Essa escolha foi atribuída à indisponibilidade do tratamento de primeira linha (lorazepam) na instituição, além dos sintomas negativistas que impediam a administração oral. A Bush–Francis Catatonia Rating Scale (BFCRS) foi aplicada antes e após o tratamento, demonstrando redução do escore de 33 para 12, com resolução de alguns sinais/sintomas do episódio catatônico: estupor, catalepsia, flexibilidade cérea, mutismo, negativismo, maneirismos, estereotipias e caretas. Isso possibilitou a continuidade do tratamento por via oral. O midazolam pode ser uma opção adequada, rápida e segura nesses casos específicos em que outros psicofármacos não estão disponíveis. Este é um dos poucos casos em que essa medida foi utilizada em contexto clínico. Estudos adicionais são necessários para investigar e sustentar as bases dessa opção terapêutica. A paciente foi recrutada por busca ativa e foi plenamente informada, juntamente com seu responsável legal, sobre todos os aspectos do estudo, incluindo objetivos, procedimentos, riscos potenciais e benefícios. O consentimento expresso foi obtido por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), elaborado de acordo com as diretrizes éticas vigentes.

Detalhes do artigo

Como Citar
Emerick, G. C., Mafredi, M., Mattos, V. G. W., & Siqueira, A. C. A. (2026). Manejo da Catatonia Aguda com Midazolam Intramuscular: Expandindo o Arsenal Terapêutico. Brazilian Journal of Case Reports, 6(1), bjcr191. https://doi.org/10.52600/2763-583X.bjcr.2026.6.1.bjcr191
Seção
Clinical Case Reports
Biografia do Autor

Gustavo Correa Emerick, Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande

Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.

Mariana Mafredi, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.

Vicente Gabriel Winck Mattos, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.

Ana Caroline Alencar Siqueira, Universidade Federal do Rio Grande (FURG)

Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, Rio Grande do Sul, Brasil.

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